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Pe. Carlos Henrique - Homilia Dominical
COMENTÁRIO DO EVANGELHO DO DOMINGO Ascensão do Senhor (At 1,1-11)  1 – LEITURA O que diz o texto? Ao celebrar a Solenidade da Ascensão do Senhor, a liturgia deste ano nos brinda com o texto evangélico de Mc 16,15-20. Porém, dado que o relato completo deste episódio da vida de Cristo se encontra no livro dos Atos dos Apóstolos, vamos rezar e trabalhar com este último texto que podemos dividi-lo em três partes: · Versículos 1-3: Introdução de todo o livro dos Atos dos Apóstolos; · Versículos 4-8: Diálogo de Jesus ressuscitado com seus discípulos; · Versículos 9-11: Ascensão propriamente dita. Nos primeiros versículos fica claro que o mesmo autor do evangelho de Lucas é o dos Atos. Escreve-se a um tal Teófilo (literalmente “o que ama a Deus”), que pode ser um personagem real e histórico ou um artifício literário para que todos os ouvintes de todos os tempos nos sintamos representados neste “Teófilo”. O que é narrado no “primeiro livro” foi o que aconteceu com Jesus desde o principio até a ascensão ao céu. Na segunda parte do texto, narram-se os acontecimentos finais da vida de Jesus nesta terra e se dá início ao diálogo. Tal diálogo se inicia com uma pergunta dos apóstolos que no texto do lecionário, apresenta-se da seguinte forma: “é agora que vais restaurar o reino em Israel?” Jesus responde a eles dizendo que tais coisas correspondem a Deus resolver. Imediatamente, lhes recordará que necessitam se preparar para receber o Espírito Santo, que os converterá em testemunhas de Deus em seu território e em toda a terra. O interessante é que os apóstolos até este ponto não têm entendido que Jesus não é um “rei político” para Israel. Ele não é um “messias terreno” que vem para resolver os problemas políticos e sociais do povo, mas sim um Messias Religioso que vem trazer ao Povo de Deus todos os bens messiânicos resumidos na plenitude, na alegria e na paz. Na última parte se descreve a ascensão de Jesus aos céus em meio a uma nuvem. Aparecem dois seres celestiais que fazem uma pergunta questionadora aos apóstolos: “por que ficais aqui, parados, olhando para o céu?” Assim como na parte anterior do relato ficavam “olhando para a terra” esperando um “messias terreno”, agora caem no erro contrário de ficar “olhando para o céu”, sem colocar mãos à obra com relação ao que Jesus recomendou que fizessem aqui na terra: anunciar a Palavra e converter ao caminho da fé todos os homens e mulheres de todos os tempos e culturas. Tenha em conta que: o livro dos Atos dos Apóstolos se encontra no Novo Testamento, logo depois dos quatro evangelhos. O autor de tal texto é o mesmo do terceiro evangelho, ou seja, Lucas. Portanto, apresenta muitas semelhanças de temas e reflexões. No entanto, no primeiro livro, no evangelho, nos é narrado de maneira particular o ministério de Jesus, Nosso Senhor; e, no segundo livro, nos é relatado o “ministério” da Igreja nascente em meio ao serviço de todos os homens, começando por Jerusalém e estendendo-se até os confins da Terra. Outros textos bíblicos para confrontar: Lc 1,1-4; 24,49-51 e Mt 28,19-20. Perguntas sobre a leitura · A quem se dirige o relato? · A quantos livros se refere o escritor deste texto? · O que apresentou no seu “primeiro livro”? · Qual foi seu primeiro livro? Dispomos dele hoje? · O que Jesus ordena a seus discípulos num determinado momento do relato? · Que pergunta fazem os apóstolos a Jesus? · Qual o significado deste “converter-se em rei” que os apóstolos cobram de Jesus? É um “reinado espiritual” ou um “reinado político”? · Os apóstolos compreenderam realmente a mensagem de Jesus ou ainda lhes falta entender? · O que Jesus responde aos apóstolos? · A que os convida? · O que logo acontece? · Como se descreve a ascensão de Jesus aos céus? · Quem aparece e como estão vestidos? · O que estes “personagens celestiais” dizem aos apóstolos?
2 - MEDITAÇÃO O que me diz o texto? O que nos diz o texto? · Sinto-me identificado com o “Teófilo” deste relato? Sinto que hoje são Teófilo e Lucas que escrevem para mim seu Evangelho e o Livro dos Atos? . O que me diz a síntese perfeita que se faz do conteúdo do Evangelho nos primeiros versículos deste texto? · O que significa para mim hoje que eu não “saia de Jerusalém” para esperar a força do Espírito Santo? Por que e em que situações deverei deter-me e esperar para ter a força do Espírito que compartilharemos na celebração de Pentecostes no próximo fim de semana? · Como entendo o “messianismo de Jesus”? Como entendo decididamente a figura de Jesus? Considero que é um “líder” a mais com boas intenções e que busca a justiça e a paz em nosso mundo? Ou capto que por sobre todas as coisas é Deus e Senhor e vem trazer a justiça e a paz desde uma perspectiva em primeiro lugar religiosa e espiritual que, evidentemente, tem incidências na vida terrena e histórica? · Corro o risco de esvaziar o messianismo de Jesus? Tenho um olhar muito “na horizontal” que me impede em alguns momentos de aspirar aos bens eternos? · Tenho a tentação de “ficar olhando para o céu” e não assumir os compromissos que tenho aqui na terra? · Corro o risco de ser muito “vertical” e cair num excesso de espiritualismo que me afaste das responsabilidades que Deus me pede no mundo atual onde nos toca viver?
3 - ORAÇÃO O que digo a Deus? O que dizemos a Deus? Como vimos, a festa da ascensão de Jesus aos céus é a celebração do equilíbrio entre o céu e a terra, é a necessidade de não mover-se nem para um lado, nem para o outro. Por isso para a oração pode ser útil ter presente a mesma dinâmica da Lectio Divina que ajuda nesta direção. Os passos se situam numa dimensão claramente espiritual e religiosa para ter contato com Deus através de sua Palavra até a contemplação, porém não para ficar parados ali “olhando para o céu”, mas sim para descer, transformados pelo Senhor, à ação cotidiana e concreta nesta terra. A oração deveria ser uma profunda ação de graças a Deus pelo presente da Lectio Divina, que nos permite viver o equilíbrio dinâmico da fé cristã que em nosso transitar histórico sempre se desenvolve entre “céu” e “terra”.
4 - CONTEMPLAÇÃO Como interiorizo a mensagem? Como interiorizamos a mensagem? Para interiorizar a mensagem deste domingo, propomos tomar a frase dos dois homens vestidos de branco aos apóstolos, para aprofundar a partir de Deus, nosso compromisso aqui na terra: · Por que vocês estão aí parados olhando para o céu?
5 – AÇÃO Com que me comprometo? Com que nos comprometemos? Proposta pessoal · Revisar em meu coração se há atitudes reducionistas com relação à pessoa de Jesus. Fazer um profundo ato de fé em sua força e em seu poder como Deus e Senhor da vida. Proposta comunitária · À luz da frase do texto: “para falar de mim em Jerusalém, em todo o território da Judéia e da Samaria e também nos lugares mais distantes do mundo”; dialogar com teu grupo para discernir que “nomes” poderiam ser colocados hoje segundo a própria realidade. Onde, decididamente, necessitamos ser testemunhas do Senhor? Pode ser nomes de lugares físicos…(meu bairro, minha cidade, meu país…) ou nomes de situações (juventude, clubes, os âmbitos de droga…)
CELAM/CEBIPAL – SOCIEDADES BIBLICAS UNIDAS Pe. Gabriel MESTRE
Escrito por Pastoral da Comunicação às 10h42
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A SEMANA SANTA
 A partir deste Domingo de Ramos, nós adentramos na mística do Mistério Pascal do Cristo, é o início da Semana Santa. Nela relembramos a história da salvação de um Deus que se abaixou e assumiu a nossa frágil natureza humana para caminhar conosco. É um período forte e marcante de nossa religiosidade onde recordamos os momentos dolorosos vividos pelo Cristo. Momentos estes que se convergem em uma ação salvífica que parte da Paixão (sofrimento, sacrifício) de um único Homem e Deus que foi capaz de nos amar incondionalmente a tal ponto de entregar por amor sua própria vida para redimir a nossa natureza fragilizada, derrotando a morte e resgatando toda a criação corrompida pelo pecado através de sua ressurreição. Na celebração dos Ramos relembramos ainda a entrada triunfante de Jesus em Jerusalém – tradição celebrada desde o final do séc. IV – onde o povo aclama a sua messianidade: “Hosana ao Filho de Davi!” Bendito aquele que vem em nome do Senhor!” Messianidade que terá sua consumação na Páscoa de sua morte e ressurreição. A conclusão desta Grande Semana, dar-se-á na Quinta-feira pela manhã com a celebração da Missa do Crisma. Nela o Bispo abençoa os Santos Óleos que serão administrados nos sacramentos do Batismo, da Crisma e da Unção dos Enfermos. Nesta liturgia ainda o Bispo junto com o seu presbitério, faz a renovação das promessas sacerdotais.
Escrito por Pastoral da Comunicação às 11h03
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Pe. Carlos Henrique - Homilia Dominical
COMENTÁRIO DO EVANGELHO DO DOMINGO 
Domingo de Ramos e Paixão do Senhor - Mc 11,1-10; 15,1-39; Jo 18,1-19,42
O paradoxo da cruz
O que o texto diz? A liturgia do Domingo de Ramos nos convida a celebrarmos dois acontecimentos: por um lado, a entrada de Jesus em Jerusalém, uma entrada triunfal como nos lembra o evangelho de Marcos. Jesus é aclamado por uma numerosa multidão com fé e alegria. Uma entrada aclamada com esperança por parte daqueles que confiavam em Jesus. Por outro lado, esta entrada triunfal se transformaria em poucos dias num caminho para a cruz e para a morte sofrida pelo mesmo Jesus no Gólgota; e que representa também um prelúdio para a ressurreição e para o renascimento da humanidade. A leitura do relato da paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo que se faz neste dia em toda a Igreja, depois da procissão até a igreja com os ramos já bentos, classifica este domingo também como o da Paixão. Pois toda a liturgia convida a refletir sobre Jesus crucificado e morto pela nossa salvação, tocando nossa mente e nosso coração para os grandes sofrimentos pelos quais passou Nosso Senhor por nos amar. Entrando em Jerusalém, Jesus é acolhido e aclamado pelo povo como Messias: “Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor! Bendito seja o reino que vem, o reino de nosso pai Davi! Hosana no mais alto dos céus!” É a confissão alegre da nossa fé. A nossa fé é sempre luz, vida, força, alegria. Aquelas pessoas conduzidas a Cristo, inspiradas e mensageiras da verdadeira fé da humanidade que esperava o Messias, encontram Jesus, celebram, o aclamam com ramos nas mãos. Jesus gosta desta acolhida e desta fé, foi ele mesmo que decidiu entrar em Jerusalém não mais a pé, mas montado num jumentinho. Ele que é manso e humilde. Ele é verdadeiramente o Salvador, o Filho de Deus, vindo ao mundo para nos trazer o amor e a misericórdia do Pai. Também nós queremos viver este dia renovando toda a nossa fé, o nosso fervor, o nosso afeto a Jesus. Mas este é também um momento de contrastes. Jesus gosta da acolhida, mas sabe que a sua glória acontecerá quando for pregado numa cruz: a sua grandeza é o seu amor infinito, o que o leva a doar a vida por todos. Enquanto o povo o aclama, os inimigos se preparam para capturá-lo a fim de condená-lo à morte. Jesus sabe que vai ao encontro da sua hora, ele veio precisamente para isso! E ainda que humanamente sinta uma terrível angústia no horto das oliveiras, ele sabe invocar e cumprir a vontade do Pai, que é o verdadeiro bem para ele e para todos nós. Nesta missa de Ramos, que abre a Semana Santa, cabe muito bem a leitura do relato da paixão e morte de Cristo. Pois, neste relato se concentra todo o mistério do amor de Deus, do pecado do homem, da salvação que Jesus nos faz merecer. O texto da paixão do Senhor não precisa nem ser comentado: é o relato dos fatos através dos quais chegou a cada um de nós a Redenção. Todo o mal, que se realiza sobre a terra, de alguma forma é concentrado naqueles fatos: a violência, a sede de poder, a inveja, a traição dos amigos, a covardia, a bajulação dos poderosos, a maldade, o insulto à dignidade humana, as insinuações, a mentira e todo tipo de maldade que o ser humano pode cometer, tudo parece estar presente na paixão de Jesus. O paradoxo é justamente o fato de que esta dor, este sofrimento foi aceito e este mal foi relevado, tornou-se nas mãos de Deus o instrumento pelo qual ele nos salvou. O amor de Deus venceu este mal e o tornou redenção. Reunir, como faz a celebração de hoje, as duas atitudes da multidão que antes o aclama e depois o condena, nos faz perceber como é fácil esquecer o amor de Deus, deixar-se conduzir pelo pecado, rejeitar o Senhor. Percebemos isto nas pessoas, mas também em Pedro e nos outros apóstolos. O texto da paixão que lemos na sexta-feira ressalta a traição de Pedro, quando Jesus anuncia durante a ceia e quando Pedro o nega por três vezes diante da serva. Se formos confrontar a traição de Pedro àquela de Judas, vemos que Pedro, depois de ter negado Jesus, cai num pranto, enquanto Judas depois da traição, vai enforcar-se. Pedro teve confiança na misericórdia de Deus, enquanto Judas não, desesperou-se. MEDITAÇÃO O que o texto nos diz? Também cada um de nós, muitas vezes, caímos na tentação, no medo, no egoísmo, no pecado, como Pedro e como Judas. Temos, porém, de seguir o exemplo de Pedro: acreditar em Deus, no seu amor infinito, na sua misericórdia sem limites. O amor de Deus, mostrado na cruz é a nossa plena, contínua e eterna salvação! Mesmo quando pecamos gravemente, e sentirmos o peso do nosso pecado, saibamos que Deus é maior do que o nosso pecado, e veio justamente para “tirar” os nossos pecados, para nos dar alegria e os frutos do seu amor. Que esta mensagem nos ajude a celebrar com profunda fé os sacramentos pascais, a viver a semana santa em união com a paixão de Cristo, fazendo nossos os mesmos sentimentos que existiram em Jesus, e implorando a graça e a força da sua morte e ressurreição para todos nós. Perguntas para a meditação: Sou consciente de que Jesus é o personagem central do relato? Olhando todos os personagens humanos que aparecem no relato da paixão e morte de Jesus: em que me identifico com cada um deles? O que há em mim de positivo e de negativo dos distintos personagens? Quais seriam hoje os sinais negativos daqueles que rejeitam Jesus? Como se poderiam atualizar hoje as atitudes positivas dos que tentam acompanhar a Cristo em sua Paixão? Sigo o exemplo de Pedro quando caio em tentação? Fonte:http://pecarlos.blogspot.com
Escrito por Pastoral da Comunicação às 09h37
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Pe. Rômulo Azevedo da Silva - Comentário Quaresmal
QUARESMA, TEMPO DE ENCONTRO E RELACIONAMENTO. “CONVERTEI-VOS E CREDE NO EVANGELHO” (Mc 1,15). Estamos vivendo mais um ano litúrgico, quando o Espírito Santo de Deus nos dá a oportunidade de mergulharmos em todo o mistério e ministério da vida de Jesus. A liturgia é lugar primordial de encontro com o Senhor da vida e da história. A quaresma é uma caminhada, um tempo de meditação; nos prepara e capacita para chegarmos com pés firmes no maior acontecimento de nossa fé, a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. Assim, é um tempo nosso, um presente que a sabedoria de Deus criou e nos deu, dentro, vem todo o seu amor e carinho. Não há a menor dúvida de que o Senhor nosso Deus nos criou para a felicidade e nos convida incessantemente para participarmos de sua alegria. Deus é um Ser imensamente feliz; em cada coisa criada, Ele imprimiu a marca de um desejo de contentamento e felicidade; basta olharmos para todo o espetáculo de luzes e cores que nos mostra a natureza e veremos o estrondo da vida que borbulha em todo o universo. É no homem, contudo, que isso se constata de modo mais real e marcante. Nossas vidas são feitas de momentos; estes dependem de nós e de nossas escolhas. Às vezes fico me perguntando o que está faltando para sermos felizes de verdade. Olho para a arte, a música, o teatro, o cinema e para tudo que o homem produz e me questiono; muitas são as querelas que surgem em meu peito também humano. O que será que está acontecendo? Por que não conseguimos o que mais buscamos? É belo ver todo o desejo de paz, amor e felicidade que carregamos em nossas almas, todos os sonhos que projetamos naquilo que criamos. Como não nos emocionarmos ao vermos cenas de filmes e novelas, músicas que mais parecem um espetáculo do próprio universo e crianças que ainda brincam e se encantam com as ondas do mar e com as promessas dos adultos. Tudo isso me faz acreditar em um mistério maior do que nós e de nossas capacidades físicas e intelectuais. Jamais chegaremos a ver um pouco do que foi preparado para nós se não nos colocarmos a caminho, jamais chegaremos se não enfrentarmos os desafios, perigos e emoções da jornada. A quaresma é este convite, que quer nos dizer que não veremos nada se dentro de nós não houver uma pré disposição para o encontro com tudo que não só faz parte de nós, mas é nosso; ou melhor, somos tudo isso. Então como viver bem este tempo, esta jornada? É claro que não viveremos bem se não entendermos bem a premissa filosófica há muito conhecida: “ninguém ama aquilo que não conhece”. Que Deus abra nossos corações para podermos entender um pouco mais. A quaresma só pode ser entendida e vivida à luz do Tríduo Pascal da Paixão, Morte e Ressurreição, de Jesus. A Páscoa é a festa batismal da Igreja. No Cristo morto e ressuscitado, ela celebra o novo nascimento dos que são batizados e renova a Aliança batismal dos que já foram mergulhados nas águas da nova vida. Para esta festa a Igreja se prepara com a penitência.
PENITÊNCIA Não podemos esquecer que a penitência não é uma lista de práticas nocivas ao nosso corpo, alma e até saúde; penitência é, antes de tudo, a nossa disposição de encontrar Deus e todo o seu mundo de amor e felicidade. Não é viver práticas externas somente; isto é fácil e pouco para uma inteligência tão complexa quanto a nossa; somos capazes de realizar coisas sem que estas nos toquem por dentro. A penitência quer transformar, fazer ver, levar-nos a um sentir que algo pode acontecer, que somos capazes de acolher ou renunciar a algo para nos tornarmos mais capacitados de experimentar uma realidade mais especial, concreta e fértil para nossas vidas. Será que uma pessoa que não sabe andar de bicicleta experimentará o sabor de ter uma experiência a mais do que quem já aprendeu a pedalar? Assim, penitência é um exercício que realmente toca na realidade de cada um; por isso, cada pessoa deve, se conhecendo, escolher livremente o que oferecerá ao Senhor como pedido, oferta e desejo de crescimento; é o lugar onde nós deixamos nossos próprios interesses e nos voltamos para Deus ( busquemos a Palavra de Deus – Joel 2, 12-18 ). EXERCÍCIOS QUARESMAIS No Evangelho de quarta-feira de Cinzas a Igreja nos proporciona uma profunda meditação sobre os exercícios da quaresma. Todos estes querem nos conduzir a uma real conversão. Este é o grande apelo e chamado da quaresma. A finalidade da vida de cada cristão é ser como o Mestre Jesus, santo e agradável ao Pai. Conversão não é viver uma vida de anjo, super-héroi ou extra-terrestre; santidade é nossa humanidade trabalhada à luz da pessoa de Cristo. Converter-se é mudar de direção, de perspectiva, de modo de vida, buscando tudo que nos ajuda a viver a proposta que escolhemos para nós. O atleta não deixa de comer ou fazer tudo que possa comprometer sua capacidade física e emocional? Assim também devemos ser em nossa vida espiritual. Mateus nos apresenta uma síntese , o programa destes exercícios de e para a conversão, oração, jejum e esmola ( Cf Mt 6,1-8.16-18): ORAÇÃO: Toda a nossa vida deveria ser uma oração, ou seja, uma comunicação com o divino em nós. A oração constitui uma abertura para Deus, para o próximo e para o mundo, a criação. A oração é também lugar de encontro com a verdade mais profunda na qual fomos criados; a verdade que somos nós mesmos. Orar é comunicar-se com o criador e Senhor de todas as coisas para, n’Ele e com Ele, descobrirmos o sentido da vida e de todo o nosso ser. Na oração descobrimos quem somos, quem é o outro, o que é o universo e quem é, na verdade, Deus. Se os homens e as mulheres da terra orassem mais o mundo não estaria pedindo socorro das mais variadas maneiras. Quem não reza não cresce, não se conhece e não sabe o que está fazendo aqui ou qual seu papel no mundo e na sociedade; torna-se uma pessoa vazia e lunática, ferida e feridora, andando pra frente e pra trás buscando satisfações pessoais e individuais, egoístas, sem uma mínima preocupação com o planeta ou seus habitantes. Orar é uma questão de vida ou de morte. JEJUM: Se a oração atinge o relacionamento do homem com Deus, o jejum o celebra com os bens criados na virtude da esperança. No seu relacionamento com a natureza o homem é chamado a ser livre, a ser senhor da criação e co senhor de si mesmo. O jejum não vale pelo que é nem pelo que acontece materialmente, biologicamente, fisicamente ou socialmente; vale pelo que significa. Jejuar não é fazer ou deixar de fazer coisas, é mais do que escolhas, é um encontro com nosso universo interior. Jejuar é abster-se de alguma coisa (comida, bebida, gestos , hábitos etc), é estabelecer o correto relacionamento de nossas vidas com tudo que a criação coloca em nossas mãos, é atitude de liberdade e de respeito para com tudo e nós mesmos, é uma luta contra mil maneiras de nos tornarmos escravos, é abrir espaço para nós mesmos, é encontro com nosso eu mais profundo. Quando estou jejuando estou dizendo a mim mesmo que sou capaz de adequar-me a um mistério que é maior que eu. ESMOLA: A esmola celebra o relacionamento do homem com o seu próximo, na virtude da caridade. Dar esmola, na tradição cristã, significa dar de graça, sem interesse de receber de volta; dar sem egoísmo, sem esperar recompensa; com paixão (compaixão). O cristão, na esmola, tem a oportunidade de experimentar o gesto do criador que de muitas maneiras se doou a cada um de nós. Não é simplesmente ir até a nossa feira e tirar dela um pacote de macarrão e ofertar a alguém; é dar-se nas pequenas coisas, no que o outro precisa e não apenas no que nos sobra. Na esmola, a Igreja nos convida a repetir o grande sinal do Mestre que viveu segundo uma doação gratuita. Não é só bens materiais, mas o tempo, o interesse, as qualidades, o serviço, o acolhimento, a aceitação etc. A Igreja sabe que uma esmola não vai resolver os problemas sociais e humanos que nos cercam, até porque o ser humano, no fundo, não precisa de esmolas e sim de presença, e sabe também que é pelo que a esmola significa que ela vai ajudar a uma verdadeira promoção humana. Não a quantia que importa, mas o gesto, ou o que o rito da esmola quer nos mostrar. Esmola é encontro de pessoa com pessoas, de um coração com outros corações. FELIZ QUARESMA Depois de termos visto estas dicas tão importantes podemos viver melhor este tempo de graça que Deus preparou para todos nós. Nosso objetivo não foi escrever um tratado, não há aqui nada de novo, somente colocamos em palavras simples a espetacular riqueza do nosso tesouro da fé. Desejo que todos os meus irmãos e paroquianos tenham uma santa e abençoada quaresma. Que Deus e seu Espírito de Amor nos conduza. AMÉM!
Escrito por Pastoral da Comunicação às 12h54
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Pe. Henrique Soares - Homilia Dominical
COMENTÁRIO DO EVANGELHO DO DOMINGO 
3º Domingo da Quaresma – Ano B - Ex 20,1-17; Sl 18; 1Cor 1,22-25; Jo 2,13-25 Comecemos pela primeira leitura a nossa meditação da Palavra de Deus para este Domingo. Que nos apresenta o Livro do Êxodo? As Dez Palavras, os Mandamentos de Torah. A palavra “mandamento” tem, hoje um significado antipático. Não gostamos de mandamentos, de normas, de preceitos. No entanto, para um judeu – e também para um cristão -, os preceitos, os mandamentos do Senhor, são uma bênção, um sinal de carinho paterno de Deus, que se volta para nós e nos abre o seu coração, falando-nos da vida, mostrando-nos o caminho, iluminando a direção da nossa existência. Foi com esse sentido que o Senhor nosso Deus deu a lei, revelou os preceitos a Israel. A Lei não deveria ser vista como um feixe pesado e opressor de proibições, mas como setas que apontam para o caminho da vida e nos fazem descansar no coração de Deus. O próprio termo hebraico torah, que traduzimos por Lei, significa, na verdade instrução. Na Lei, na Instrução, Deus nos fala da vida porque deseja conviver com o seu povo. Sendo assim, os preceitos são uma bênção! O profeta Baruc afirma isso com palavras comoventes: Escuta, Israel, os mandamentos da vida; presta ouvidos, para conheceres a prudência. Por que Israel, por que te encontras na terra dos teus inimigos, envelhecendo em terra estrangeira? É porque abandonaste a fonte da Sabedoria. Ela é o livro dos preceitos de Deus, a Lei que subsiste para sempre: todos os que a ela se agarram destinam-se à vida, e todos os que a abandonam perecerão. Volta-se, Jacó, para recebê-la; caminha para o esplendor, ao encontro de sua luz! Não cedas a outrem a tua glória, nem a um povo estrangeiro os teus privilégios. Bem-aventurados somos nós, Israel, pois aquilo que agrada a Deus a nós foi revelado” (Br 3,9-10.12; 4,1-4). Eis, pois, o que são os mandamentos: uma luz, um caminho de liberdade, porque nos faz conhecer o coração de Deus e os seus sonhos para nós. Viver na Palavra de Deus, mergulhar nos seus preceitos é viver o seu sonho para nós, é ser livre, maduro e feliz. Por isso o Salmista, hoje, canta: “A lei do Senhor Deus é perfeita, conforto para a alma! O testemunho do Senhor é fiel, sabedoria dos humildes. Os preceitos do Senhor são precisos, alegria ao coração. O mandamento do Senhor é brilhante, para os olhos é uma luz. suas palavras são mais doces que o mel, que o mel que sai dos favos!” E, no entanto, Israel violou a Lei de Deus, fechou-se para os preceitos do Senhor... E por quê? Porque não basta seguir um feixe de regras e normas para agradar a Deus. A Lei somente tem sentido se for vivida como uma relação de amor. Olhai bem como começa o Decálogo: “Eu sou o Senhor teu Deus que te tirou do Egito, da casa da escravidão. Não terás outros deuses diante de mim”. Aqui está já dito tudo: por lado Deus, apaixonado, fiel, amoroso: tirou o seu povo da miséria de suas escravidões. Por outro lado, o povo: de quem ele espera um coração totalmente dedicado ao seu Deus: “Não terás outros deuses diante de mim!” É esta relação de amor que Israel quebrou, contentando-se muitas vezes com um legalismo vazio e frio. A imagem dessa situação, vemo-la no Evangelho de hoje: o Templo, lugar do encontro de Deus com o seu povo, transformado numa espelunca, numa casa de comércio, um lugar de prostituição do coração, de idolatria É idolatria a ganância, é idolatria a impiedade, é idolatria reduzir a religião a um negócio lucrativo, é idolatria pensar que se pode manipular Deus com um dízimo, com um rito ou com um volume da Bíblia! O Senhor previne: “Eu sou o Senhor vosso Deus que não aceita suborno!” (Dt 10,17) Por isso Jesus age de modo tão violento: Fez um chicote de cordas e expulsou todos do Templo, junto com as ovelhas e os bois; espalhou as moedas e derrubou as mesas dos cambistas. Disse aos que vendiam pombas: ‘Tirai isso daqui! Não façais da Casa de meu Pai uma casa de comércio!’” que significa este gesto de Jesus? É uma pregação pela ação, uma ação profética, uma ação, um gesto que vale por uma pregação. Jesus está revelando a santa ira de Deus contra o seu povo... Hoje em dia, com uma mania boboca de sermos politicamente corretos (coisa que nunca assentará num cristão), ficamos escandalizados com um Deus que se inflama de ira, com um Jesus que deveria ser mansinho, bonzinho, tolinho, aguadozinho, insossinho, e aparece, no entanto, firme, forte, radical... e irado! Esse é o Jesus de verdade: surpreendente, desconcertante! Sua ira nos previne no sentido de que não podemos brincar com Deus, não podemos fazer pouco dele! Correremos o risco de perdê-lo, de sermos rejeitados do seu coração! Em outras palavras: a conversão é uma exigência fundamental para quem deseja caminhar com Deus, sendo discípulo do Filho Jesus! Mas, os judeus, ao invés de compreenderem isso, com cinismo criticam Jesus e pedem-lhe um sinal: “Que sinal nos mostras para agir assim?” Vede bem, caríssimos: quando a infidelidade é grande, quando o nosso coração habituou-se no mal, corremos o risco de sermos tomados de tal cegueira, de tal dureza de coração, que já não vemos nem com a Luz! Jesus é a luz que brilha claramente. Sua atitude dura, recorda aos judeus o amor de Deus que foi traído, a Lei que foi deturpada, e eles ainda pedem por sinais... Jesus dá um sinal, terrível, decisivo: “Destruí este Templo, e em três dias eu o levantarei”. Que significa isso? “Estais destruindo este Templo? Ele é um sinal, é um símbolo profético: ele é o lugar no qual o homem pode encontrar Deus, ele é imagem do meu corpo. Pois bem! Vós violastes a aliança, destruístes o sentido da relação com Deus: continuais, pois a destruir este Templo. Mas em três dias eu o erguerei para sempre: vai passar a imagem, virá o Templo indestrutível, o lugar onde um novo povo poderá para sempre encontrar Deus: o meu corpo morto e ressuscitado!” Eis o sinal, surpreendente, escandaloso: à infidelidade do seu povo, Deus responde entregando o seu Filho e fazendo dele o lugar da salvação e da graça, da vida e da vitória da humanidade! É o que São Paulo nos diz na segunda leitura deste hoje: “Os judeus pedem sinais, os gregos procuram sabedoria; nós, porém, pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e insensatez para os pagãos”. O sinal que Deus apresenta para Israel, o remédio que Deus preparou para curar a violação da Lei é o seu Filho crucificado, morto e ressuscitado! Caríssimos, olhemos para nós, o Novo Povo de Deus, o Povo nascido da morte e ressurreição de Cristo. Não somos mais obrigados a cumprir os detalhados preceitos da Lei de Moisés mas, somos convidados a olhar o Crucificado, cujo corpo macerado é o lugar do perdão e do encontro com Deus, o lugar da nova e eterna Aliança... olhando o Crucificado, ouçamos, mais uma vez, como Israel: “Eu sou o Senhor teu Deus, que te fez sair da casa da escravidão, da miséria do pecado e da morte, da escuridão de uma vida sem sentido! Eu te dei o meu filho amado! Não terás outros deuses diante de mim!” Compreendeis, irmãos? Os preceitos do Antigo Testamento passaram; não, porém, a exigência de um coração todo de Deus, um coração que o ame, um coração sem divisão! E, para nós, a exigência é ainda maior, porque Israel não tinha ainda visto até onde iria o amor de Deus; quanto a nós, sabemos: “Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16). Caríssimos em Cristo, convertamo-nos! Ergamos os olhos para o Crucificado, “Poder de Deus e Sabedoria de Deus”, e mudemos de vida! Que nossa fé não seja fingida, superficial, descomprometida; que nossa religião não seja simplesmente uma prática fria e sem desejo de real conversão ao Senhor nosso! Crer de verdade exige que nos coloquemos debaixo do preceito de amor do Senhor! Estejamos atentos à advertência final e tremenda do Evangelho de hoje: “Vendo os sinais que Jesus realizava, muitos creram no seu nome. Mas Jesus não lhes dava crédito, pois conhecia a todos... conhecia o homem por dentro”. - Ah, Senhor Jesus! Tem piedade de nós! Converte-nos a ti e, depois, olha o nosso coração convertido e dá-nos a tua salvação! Piedade, Senhor! Na tua misericórdia infinita, conduze-nos às alegrias da Páscoa! A ti a glória, Cristo-Deus, pelos séculos dos séculos! Amém. Fonte: http://www.padrehenrique.com
Escrito por Pastoral da Comunicação às 11h08
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